Ações Integradas entre as Polícias Civil e Militar reforçam combate a assalto a bancos no Maranhão

Ações estratégicas de combate a assaltos a bancos prenderam no Maranhão 16 pessoas em 2016, após operações integradas entre as Polícias Civil e Militar. O trabalho especializado do Departamento de Roubo a Bancos da Superintendência de Investigação Criminal (Seic) e do Curso de Operações de Sobrevivência na Área Rural (Cosar) tem reforçado o conjunto de medidas direcionadas para o combate à criminalidade no interior do estado.

Segundo o superintendente de Investigação Criminal da Polícia Civil do Maranhão, delegado Tiago Bardal, várias ações estão sendo feitas pelo Governo do Maranhão no combate aos assaltos a bancos no interior do estado. Além da integração entre as polícias maranhenses, a Polícia Civil tem estreitado o relacionamento com as Polícias Civis de outros estados, como Pará, Piauí e Tocantins, onde recorrentemente agem as quadrilhas interestaduais. Os estados trocam informações, compartilham dados e planejam o trabalho de maneira integrada.

Além disso, a equipe da Seic foi reforçada e criou um departamento voltado apenas para este segmento do crime. Nele, há novos policiais civis – que foram incorporados a partir do último concurso –, viaturas e equipamentos de inteligência para aperfeiçoar a investigação policial.

O superintendente apontou que houve uma migração de outras modalidades criminosas para esta. “Vem ocorrendo uma banalização desse tipo de crime. Pequenos assaltantes, que antes praticavam outros crimes, hoje agem em roubos a bancos”, disse o delegado.

Bardal informou que, além do reforço em segurança pública, a Polícia Civil tem buscado mecanismos preventivos para que haja cada vez menos explosões a caixas eletrônicos. Um dos quesitos citados pelo delegado é a facilidade de acesso a explosivos. Para ele, é necessária uma articulação para ampliar o controle no manuseio deste material. “Temos tentado viabilizar junto ao Exército a fiscalização das empresas que guardam e manipulam esses explosivos para sabermos se está havendo algum tipo de desvio”, declarou.

Outra medida que a Polícia tem requerido é que os bancos invistam em equipamentos de segurança. Como a maior parte dos crimes ocorre na madrugada, ele sugere que sejam usadas fumaça de neblina nos caixas eletrônicos. “Para colocar a dinamite, os bandidos precisam obstruir o local na máquina de onde sai o dinheiro. Quando tentam fazer isso, a fumaça de neblina é disparada e eles não têm como continuar a ação por causa da falta de visibilidade. Isso já é usado em muitos bancos do país em outros estados”, detalhou o superintendente de Investigação Criminal.

Prisões

O reforço do trabalho investigativo da Polícia Civil e das rondas e patrulhamento da Polícia Militar permitiu a prisão de assaltantes procurados após explosões de agências no interior do estado. O trabalho já apresenta resultados: em menos de dois meses, foram desmontadas quadrilhas nos municípios de Bacabal, Icatu, Morros, Alto Alegre, Maracaçumé, Pinheiro e São Vicente Férrer.

As investigações no município de Icatu, por exemplo, culminaram na prisão de cinco pessoas após assalto ao banco Bradesco da cidade. A identificação dos suspeitos foi feita com o auxílio de câmeras de segurança. A Polícia também descobriu que uma funcionária do banco – Milena Fernanda Verde, de 26 anos – forneceu informações e facilitou a ação criminosa.

Outra quadrilha interestadual foi desarticulada no final de janeiro com a prisão de quatro de seus integrantes em Imperatriz. Eles assaltavam bancos e foram presos em diligências policiais entre Imperatriz e Estreito. Na casa onde estavam hospedados, foram encontradas armas, munição e equipamentos de arrombamentos de bancos. Outros suspeitos que já tinham passagem pela polícia e planejavam novos assaltos em municípios próximos foram presos após roubarem um banco em Igarapé Grande. Eles também portavam armamento pesado.

Efetivo Especializado

O grupamento especializado formado no Curso de Operações de Sobrevivência em Área Rural (Cosar) foi enviado para o interior do estado e trabalha no cerco às quadrilhas. A capacitação dos policiais militares que atuam pelo grupo envolveu técnicas de perseguição de criminosos, rastreamento, identificação de explosivos e o trabalho em áreas adversas, com variação de ambientes. O Governo do Maranhão também aparelhou o grupamento para a atuação especializada. Os policiais formados no Cosar receberam armamentos especificamente destinados ao processo de combate a crimes melhor articulados e assaltos de maior porte.

Já pela Polícia Civil, parte dos novos policiais foi designado a departamentos especializados, como o Departamento de Combate a Assaltos a Bancos – uma parte foi destinada ao interior e outra permaneceu em São Luís, na composição da força tarefa da Delegacia de Roubos e Furtos da área metropolitana. Para este departamento, foram selecionadas pessoas a partir de um perfil mais específico, com características e experiências que as habilitam para o trabalho. “Muitos dos escolhidos para este departamento passaram, por exemplo, por outras forças de segurança. Entram para nos auxiliar de forma direta no combate a essa modalidade criminosa”, disse o delegado geral da Polícia Civil, Lawrence Pereira.