Editorial “Curto circuito na corrupção”

“Nunca diga nunca”, afirma o verbete poético, mas se há uma novidade jamais vista no Maranhão essa é o combate à corrupção. Homens poderosos, podres de ricos, desfilaram, ontem, diante dos holofotes da imprensa, todos com a prisão preventiva decretada e capturados em suas residências pela Polícia Civil do Estado. E é o mesmo estado no qual a corrupção nos órgãos públicos incorporou-se aos costumes, como regra, ou mesmo lei da administração.

Ser corrupto no decorrer do sarneisimo era quase uma virtude, uma apoteose que, além de satatus, conferia a autoridade permitida pelo uso e abuso do vil metal. Corruptos davam carteiradas, desafiavam barreiras policiais, impunham suas vontades nos cartórios, tinham seus protegidos e se protegiam sob o manto da impunidade e da degenerescência institucional. Aqueles dos homens presos eram os semblantes dos donos de apartamentos e carros de luxo, helicópteros, lanchas, iates, de viajantes do mundo, embora que para manter suas vidas nababescas, alguém, alguma criança ficasse sem a merenda escolar, o alimento do dia, ou algum doente gritasse sem socorro à falta de remédios.

O animus do maranhense se eleva com a postura adotada pelo governador Flávio Dino de organizar as instituições públicas para combater a corrupção. Foi criada a Secretaria de Transparência e Controle e, no âmbito da Secretaria de Segurança, a Superintendência de Combate à Corrupção. E esta operação não tratou apenas de condução coercitiva e busca e apreensão. Há prisões preventivas decretadas, há um ação penal em curso e, na parceria da Secretaria de Segurança com o Ministério Público, a determinação de devassar as prefeituras submetidas a esse escamoso processo de agiotagem.

Algumas palavras pronunciadas pelo secretário Jeferson Portella elevam ainda mais o animus de uma sociedade historicamente compungida por atos de improbidade. Quando, por exemplo, aponta a covardia e a crueldade ao afirmar que “a ânsia vampiresca por aumentar patrimônios está surrupiando o dinheiro da merenda escolar e da saúde e que, portanto, não basta prender corruptos, é preciso combater as estruturas da corrupção.

Estava ali, sem dúvida, uma polícia vitoriosa, sã, cônscia de seus deveres para a com a sociedade saqueada do Maranhão. Insistentemente, o secretário de segurança refletiu que “Bandido é bandido, não importa o sobrenome, nem o patrimônio que detém”. Ele, assim, conforta o estado da mesma forma que a “Operação Lava Jato” conforta o país. E quando afirma que a violência é consequência dos índices alarmantes de corrupção, está denunciando que a corrupção cria os famintos, os rejeitados, os revoltados e raivosos numa proporção que muitos poucos podem perceber.

Os fios se entrelaçaram, da Polícia Federal na Secretaria da Saúde, do Ministério Público e da Polícia Civil no enfrentamento da agiotagem e um curto circuito na corrupção acendeu nesse Estado novas luzes de esperança. E é a esperança de um dia sem crianças famintas, sem doentes sem socorro para que alguns vivam como reis.

Queimam-se as lâmpadas da impunidade para que viceje nessa terra uma nova mentalidade no trato com a coisa pública. Os corruptos pensarão duas vezes antes de enfiar as mãos no dinheiro do povo, pois sabem que um Ministério Público vigilante e uma Polícia Civil livre para agir também contra os poderosos estarão à espreita. Assim sendo, já é possível sonhar com um futuro de grande ousadias sociais no qual a desgraça dos pobres não seja o alimento dos ricos.

 

Fonte:Editorial do Jornal Pequeno