Caça aos corruptos

Editorial JP, 22 de outubro

Não há mais trégua na Secretaria de Segurança Pública do Maranhão para aqueles que ousaram avançar sobre o patrimônio público. E essa é uma novidade que lava a alma de todas as vítimas deste que é talvez o mais hediondo dos crimes concebidos contra a condição humana: a corrupção. A corrupção é mãe da fome, tia da miséria, madrinha do analfabetismo e a madrasta cruel e imperdoável da saúde pública.

O Secretário de Segurança Jefferson Portella, calejado militante das causas sociais, segue à risca as determinações do governador Flávio Dino no engendrar de um modelo político que livre o Maranhão e os maranhenses da ação canibalesca dos roedores de recursos públicos, os glutões impunes que mastigaram o desenvolvimento e o progresso do Maranhão, sem escrúpulos nem piedade, durante décadas a fio. Para tanto, foi criada na estrutura da Secretaria de Segurança a Superintendência Estadual de Combate à Corrupção que, no comando da Polícia Civil, rebentou, ainda este ano, vultosos esquemas de corrupção que proliferavam no Estado.

Estourou-se, assim, dentre outros, o esquema “Pacovan”, um formidando nicho de agiotagem que, segundo as investigações, drenou para contas particulares milhões e milhões de reais dos municípios mais empobrecidos do Maranhão. O luxo apoteótico dos corruptos, agiotas, prefeitos, secretários ex-prefeitos e seus parentes, revelado em diversas operações policiais, consumia joias estimadas em mais de meio milhão de reais, relógios de marca, carrões, jet – ski, e outros “souvenirs” pelos quais o povo pagava com a falta de infraestrutura, de educação, de saúde, com a desnutrição etc.

Banditismo em larga escala como o revelado na Operação Cayenne que detonou um esquema que chegou a garfar R$ 34 milhões da Univima ou o assalto ao seguro de danos pessoais causados por veículos automotores – DPVAT, fundeado pela Operação Asclépio e que consistia na emissão de laudos falsos do Instituto Médico Legal.  

A corrupção instalada e permitida no Maranhão até 2014 voltou a seu devido lugar em 2015 quando passou a ser tratada como crime hediondo que é. A ação da Secretaria de Segurança Pública atingiu o próprio coração do sarneisismo com a prisão do ex-chefe da Casa Civil de Roseana Sarney, João Abreu, para alguns o bode expiatório das relações financeiras incestuosas entre o governo da época, o doleiro Alberto Youssef e o dono da Constran, Ricardo Pessoa, todo-poderoso chefe do Petrolão.

Mais que mandar corruptos para a cadeia, essa novíssima atividade policial exercida no Estado contribui para a construção de uma nova mentalidade política, defendida ainda em discursos de campanha pelo governador Flávio Dino. Uma mentalidade que não tenha por objeto o patrimonialismo e o enriquecimento covarde. Como disse o secretário Jeferson Potella, “a corrupção é um mal que assola a sociedade, por isso deve ser combatida de forma firme e segura”.

Por todas as razões do mundo, é imprescindível combater.